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Pastoril em Dia de Reis

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Bolo-rei tradicional em Portugal desde meados do século XIX

Tive a sorte de ser convidado para a “queima da lapinha”, Dia de Reis, e encerramento do período de Natal, em cerimónia numa casa tradicional onde esta festa tem lugar todos os anos. Este ano, com carácter especial, com a apresentação do “Pastoril das Meninas” que se revestia de um simbolismo acrescido pela interrupção durante dois anos por perda de familiares em proximidade do Natal. O presépio ostenta de nome de Maria José que é a dona da casa.

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O presépio

Quando me convidaram para a festa, e como é meu hábito, quis saber de imediato de que constava a “queima da lapinha” sem deixar de me lembrar das lapinhas que se encontram na Madeira como presépios construídos para o período do Natal em ambiente campestre, e ainda dos famosos lenhos que ainda se fazem em Trás-os-Montes ou nas Beiras Interiores. Curiosamente este termo, lapinha, é apenas usado como significante de presépio na Madeira ou no Nordeste Brasileiro. Não será de estranhar que, com a vinda de madeirenses que já produziam açúcar de cana e aguardente durante o século XV, surjam no Nordeste pois foram os madeirenses que ajudaram a instalar os primeiros engenhos e as primeiras produções de açúcar. O açúcar é, de facto, o produto historicamente mais célebre e emblemático desta região e que, com a produção, e auxiliada pelo trabalho de escravos, levou a esta terra ser conhecida Terra de Luz pois em Redenção, 1883, foram libertos os primeiros escravos antes da Lei da Abolição, 1888, e exatamente numa fazenda com engenho de açúcar.

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A cabana do nascimento de Jesus, já sem as palhinhas

Com as habituais palavras sábias de Walden Luiz, fiquei a saber que a “queima da lapinha” é o evento, habitualmente familiar, que encerra a época natalina e que consiste em queimar as palhinhas que serviram de cama ao menino Jesus no presépio. E com a queima simboliza-se a vontade de esquecer, apagar, as desventuras do ano transato e pedir a realização de um bom futuro.

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As pastorinhas

Podemos generalizar e afirmar que o pastoril é uma manifestação folclórica do Nordeste do Brasil que consiste numa representação teatral musicada e cantada à volta do presépio e os cânticos são louvores ao nascimento de Jesus, ao anúncio do seu nascimento através da estrela, a visita dos pastores até à chegada dos Reis Magos, e que decorre durante o período de natal e termina em Dia de Reis. A origem é mais remota e remete-nos para o Auto da Visitação ou Monólogo do vaqueiro escrito por Gil Vicente (1465-1536) e representado, nos aposentos da rainha, a primeira vez em 1502 para celebração do nascimento do príncipe que viria a reinar como D. João III (1502-1557). Apesar de ter nascido em junho, a Rainha pede-lhe para voltar a representar na época do Natal e Gil Vicente adapta-o com o nome de Auto Pastoril Castelhano. Aqui aparece a palavra pastoril, e castelhano talvez para homenagear a Rainha Dona Maria que foi Princesa de Castela e segunda esposa de D. Manuel I(1495-1521).

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Chegada da Estrela

Segundo Câmara Cascudo, no Dicionário do Folclore Brasileiro, define pastoril como Cantos, louvações, loas, entoadas diante do presépio na noite de Natal, aguardando-se a missa da meia-noite. Representavam a visita dos pastores ao estábulo de Belém, ofertas, louvores, pedidos de bênção. Estas representações foram evoluindo e adquiriram novas versões. Câmara Cascudo refere a origem nas “loas das lapinhas” que eram cantadas nos presépios na Madeira.

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Chegada da Borboleta

Mas a literatura brasileira é rica em referência a estas manifestações chamadas aqui folclóricas. Melo Morais Filho (1844-1919) no seu livro Festas e Tradições Populares do Brasil chama aos bailes pastoris a poesia popular erudita. Já Amadeu Amaral Júnior (1910-1944) na Revista do Arquivo Municipal de São Paulo, LXIV, 1940 tem um artigo extraordinário com o título “Reisados, bumba-meu-boi e pastoris” no qual descreve estas manifestações com detalhe e diferenças entre estados: …Pastorinha ou Pastoril são outra festa da mesma época. Trata-se de dois partidos: azul e encarnado. Personagens 12, 6 de cada partido. Tem a Mestra, a Contramestra, Diana, etc…

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Chegada da Camponesa com Flores

O “Pastoril das Meninas”, para o qual tive a sorte e o prazer de ser convidado, é um grupo de meninas que transparecem felicidade e encanto pelo desempenho que executam. Hás as pastorinhas azuis e as vermelhas com Mestra e Contra Mestra, depois a Estrela, a Borboleta, a Camponesa com Flores, a Cigana do Egito e, por fim S. José e Nossa Senhora com Menino Jesus ao colo.

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Chegada da Cigana do Egito

As pastorinhas surgem de cada lado sua cor e dançam, cantam e tocam pandeireta. A Mestra e a Contra Mestra assumem papel de relevo na orientação da dança e em canto individual. Depois vão surgindo as figuras individuais com cânticos próprios e enquadradas pelas pastorinhas. Antes da retirada duas pastorinhas distribuem por elas e pelos assistentes pedaços das palhinhas do presépio para cada um participar na queima e lembrar, para esquecer, o mau de 2015 e desejar o melhor para 2016.

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Chegada de São José e Nossa Senhora com Menino Jesus ao colo

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O início da “queima da lapinha”

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As palhinhas a arder

Mas, festa sem comida? Nem pensar. Depois de um generoso lanche com salgadinhos e doces regionais com todos os participantes, eis que surge a novidade portuguesa embrulhada em segredo, para a festa da casa: um Bolo-rei excelente de confecionado pela minha amiga Berta Benedito Castro Lopes do restaurante Marquês da Varjota em Fortaleza. Antes de terminar um agradecimento especial a Dona Maria José, anfitriã de sentimentos e também aos seus filhos designadamente o Wagner de quem tenho a sorte de ser amigo, esperando festa de rua no próximo ano.

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O famoso Bolo-rei

© Virgílio Nogueiro Gomes

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