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nigellaNo dia do nosso aniversário, recebemos, via computador, centenas de diversificadas mensagens que nos parabenizam por mais um ano de vida “neste vale de lágrimas”. Das várias que me robusteceram o ego, destaco a da minha amiga Fernanda Botelho, uma das mais ilustres sabedoras de fitoterapia que temos no nosso país. Enviou-me a fotografia de uma bonita nigela que tinha no seu quintal. Foi ela que me motivou a redigir a presente croniqueta.
Quando fui a Marraquexe, deambulei por ervanárias e casas de especiarias que são típicas nesta cidade marroquina. Numa delas deram-me a cheirar um pó feito das sementes trituradas de nigela. Logo um ardor forte me subiu pelas narinas e me fez espirrar sucessivas vezes. O insólito episódio gravou-se perenemente na minha memória.

Devo ainda acrescentar que, há pouco, encontrei num recanto da Serra do Louro várias dezenas de garbosas nigelas no seu apogeu vegetativo o que reforçou o meu desejo de perorar sobre esta bela planta.
A Nigella damascena é popularmente conhecida por cabelo-de-vénus, barbas-de-velho ou damas-entre-verde e pertence à família das Ranunculaceae. O género Nigella inclui 14 espécies, entre as quais se salientam a Nigella arvensis e a Nigella sativa com ligeiras diferenças entre si. Contudo é a damascena que surge com mais frequência no sul de Portugal. Pesquisando nos meus alfarrábios de plantas medicinais, muito pouco colhi sobre a nigela. Foi em “Les Plantes Médicinales du Maroc” de Abdelhaï Sijelmassi que logrei encontrar descrições mais detalhadas, confirmando que são os magrebinos quem mais uso faz desta erva.

Diz Sijelmassi que as três espécies atrás referidas possuem grãos negros de odor agradável e que o Profeta já preconizava o seu emprego por constituir um preventivo contra as doenças. Refere também que as sementes misturadas com a massa do pão são fortificantes e que amassadas com mel devem ser ingeridas em jejum. Adverte, no entanto, para a sua toxicidade em doses altas visto que contêm alcaloides.


nigela2A nigela (a palavra vem do latim e significa negro) é uma pequena erva anual espontânea, surgindo em terrenos baldios e pedregosos na região mediterrânica e nas zonas temperadas do continente asiático. É versátil mas não gosta de geadas nem de sombreados. Tem caules eretos ou ascendentes, simples e angulosos que raramente chegam a 50 cm de altura. Possui longas folhas alternas com segmentos lineares que fazem lembrar as do funcho. As flores hermafroditas, de aparência delicada, surgem solitárias no cimo dos caules, aninhando-se num invólucro rendilhado com cinco sépalas e cinco pequenas pétalas, ambas de azul claro. Quando as pétalas secam, formam-se cápsulas ovoides e ocas (semelhantes às das papoilas) que contêm numerosas sementes negras de forma triangular, não excedendo os 3 mm. Essas sementes são conhecidas como cominho-preto, embora nada tenham a ver com o verdadeiro cominho que provém de uma Umbelífera, a Cuminum cyminum.


As nigelas, por via das graciosas flores, são adequadas à jardinagem, contudo o seu valor económico é atribuído às sementinhas. Elas podem ser usadas como condimento, cujo sabor é parecido com o da noz-moscada. Não obstante, deve usar-se com moderação devido aos alcaloides os quais são mais expressivos na variedade damascena. Julgo que os magrebinos preferem usar a sativa. As sementes contêm cerca de 40% de ácidos gordos que dão origem ao óleo de nigela, rico em saponina, tanino, provitamina A, vitamina E, ómegas 3, 6 e 9. Estudos recentes referem que esse óleo possui atividade tumoral, com capacidade para travar a progressão das metástases e impedir os tumores de se alimentarem. Diz-se também que é expectorante, vermífugo, carminativo, protege o fígado, previne a diabetes e é eficaz para debelar infeções e problemas cutâneos. Ademais, entra na preparação de cosméticos e até mesmo na culinária se não for aquecido pois, nesse caso, perde as suas benéficas propriedades.

Das “Plantes Médicinales au Maghreb et soins de base” de Jamal Bellakhdar extraí a seguinte receita para estimular o apetite: deitar 5 a 10 gramas de grãos numa chávena de água quente para tomar duas vezes por dia antes das refeições ou então, para depois das refeições, nos casos de astenia (fraqueza e falta de forças).

Miguel Boieiro

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