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Os “puxa clientes”

Sou um cliente permanente da Baixa lisboeta que, adicionando o meu vício de comer fora de casa, me faz sentir em certos dias como que a autoflagelar-me. Sempre que posso saio para jantar na Baixa e depois, tranquilamente, faço o meu passeio digestivo pela rua Augusta até ao Tejo e regresso. Já deixo o carro longe para me obrigar a andar mais a pé. Já pensei fazer um guia dos restaurantes da Baixa e desisto sempre que vejo mais um restaurante que fechou e que, por vezes, reabre rapidamente com solução gastronómica em pior. Fazer um guia dos bons restaurantes da Baixa seria um trabalho de pequena dimensão, e bem salvo pelas opções dos restaurantes de hotéis onde se come cada vez melhor. Nesta zona lembro a boa solução do restaurante Varanda do Hotel Mundial, o restaurante Bastardo do Hotel Internacional e do restaurante Rossio do Hotel Altis Avenida. Mas hoje irei escrever apenas sobre a rua das Portas de Santo Antão, e deixo a rua dos Correeiros para outra ocasião. Sou de boa memória  para ainda me lembrar da glória do Solmar (agora encerrado), do Escurial (substituído), ou do Lagosta Real (substituído), e outros...!

puxa clientes


Eu chamo de “puxa clientes”, aos empregados que habitualmente têm uma lista do restaurante na mão, e também alguns fazem malabarismos com ela, e que nos tentam convencer para frequentar o “seu” restaurante. Às vezes de forma insistente, e geralmente incomodativa. Mas descansem, estes comportamentos não são exclusivos de Lisboa! Há muitas paragens por esse mundo fora onde também acontece o mesmo. A mim, sendo abordado, é garantido que não entro no restaurante. Quando são locais que nunca frequentei gosto de, tranquilamente, ler a lista na rua, reparar se há algum prato que me desperta a atenção, olhar para o interior e sentir que estou a tomar a decisão só por mim.

Outro fenómeno que para mim desclassifica um restaurante são aqueles que exibem as fotografias dos pratos, fotografias quantas vezes de má qualidade, e em suportes deficientes ou maltratados, e pior, a maioria das vezes os pratos servidos não correspondem à imagem. Ora andava eu na dúvida em relação a esta crónica quando deparo na revista TimeOut nº 510 de 11 de julho de 2017, edição Lisboa, com o seguinte título: E uma coisa que os turistas fazem e todos devemos evitar. E continua o texto: Já sabem como é: restaurantes com fotos no menu são como o mar em dia de bandeira vermelha: a evitar. E o mesmo se pode dizer sobre lugares com empregados que fazem malabarismos com o menu enquanto nos cumprimentam em quatro línguas diferentes. E o texto continua com mais alguns exemplos dessas operações. Pensei: afinal não sou o único!

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Diariamente sou cumprimentado em várias línguas com predominância para o inglês, mas também em espanhol, francês e italiano. Se sou obrigado a parar pergunto ao “puxa clientes” se fala português. As reações são as mais variadas. Felizmente que já há uma meia dúzia deles que me reconhecem e me fazem um leve sorriso ou me cumprimentam em português sem insistirem para o consumo do seu restaurante. Para piorar ainda, nas esplanadas somos sujeitos a uma variação musical ao vivo que raramente é de qualidade, intervalada por vezes por lançadores de labaredas...!

Identifiquei apenas três restaurantes, na Rua das Portas de Santo Antão, que por prática não têm “puxa clientes”, nem exibem fotografias dos seus pratos: no nº 23 o “Gambrinus”, no nº 85 “O Churrasco” e no nº 150 o “Solar dos Presuntos”. Os meus aplausos para eles pois não precisarão de “puxa clientes” porque as suas cozinhas são de mérito e aí os clientes vão diretamente.

Por razões óbvias não fiz fotografias dos malabaristas nem dos seus movimentos na tentativa de angariarem clientes.

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© Virgílio Nogueiro Gomes

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